Alagoas foi assunto logo no primeiro bloco do debate entre os presidenciáveis, na noite deste domingo, na Record TV. O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, perguntou ao petista Fernando Haddad por que ele está aliado ao senador Renan Calheiros. Foi uma tentativa de constranger Haddad, uma vez que o parlamentar alagoano está entre aqueles que o PT chama de “golpistas” – os deputados e senadores que votaram pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.


Se era golpista em 2016, como é que agora os petistas andam abraçados com Renan, como se nada houvesse ocorrido na guerra que derrubou Dilma? Foi mais ou menos assim a estocada de Boulos. Para se explicar, Haddad alegou que seu partido decidiu apoiar a reeleição do governador Renan Filho, que, segundo ele, realiza uma gestão aprovada pela maioria da população do estado.


O caso é mesmo uma contradição e um incômodo para parte da militância petista em Alagoas. Lembro que, no período das convenções partidárias, ali entre junho e julho, num evento em Limoeiro de Anadia, o senador foi chamado de golpista por um grupo de filiados ao PT. A iniciativa foi criticada duramente pelo deputado Paulão, que estava no encontro, e repreendeu os próprios companheiros.


No mais, como especulei no texto anterior, o principal alvo do debate foi, além de Haddad, o candidato ausente Jair Bolsonaro. O motivo, é claro, é que a dupla lidera isolada as intenções de voto na corrida deste primeiro turno. Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e Alvaro Dias tentaram, várias vezes, apontar Haddad e Bolsonaro como únicos responsáveis pelo “clima de polarização”.


De sua parte, o petista tentou escapar desse tipo de assunto e recorreu, como faz na campanha, aos “bons tempos” do governo do presidente Lula, quando o “povo era feliz”. Haddad citou o que considera exemplos do legado lulista: construção de universidades, Bolsa-Família, ProUni, Minha Casa Minha Vida, Luz Para todos... É sua principal estratégia para rebater qualquer tipo de crítica.


Mas o tema recorrente ao longo das duas horas de debate foi a tal “radicalização”, o “avanço do ódio”, a carnificina entre esquerda e direita. Houve um campeonato particular entre os candidatos pelo troféu de pacificador, digamos assim, diante de um Brasil aparentemente em guerra. Fora disso, todos garantiram ter a receita para gerar emprego e dar mais segurança ao povo. No papel é fácil.


Outro ponto em que todos se esforçaram para mostrar belas ideias e boas intenções foi em relação à população feminina. Nunca houve um debate com tantas homenagens às mulheres. Lógico. É a maioria do eleitorado; um segmento que, na cabeça de candidatos e marqueteiros, tem tudo para decidir a eleição. Elas receberam apoio unânime pelas manifestações de rua contra Jair Bolsonaro.


Sim, teve o Cabo Daciolo. Mais uma vez, ele fez sucesso nas redes sociais, com suas ideias e linguagem que destoam, e muito, de tudo o que se vê nos debates. Nas considerações finais, o candidato do bordão “Glória!” agitou a plateia, atacando a TV Globo e elogiando a Record. Assim como nos debates anteriores, não se pode falar num grande vencedor, nem o contrário.


Agora é esperar o último encontro televisivo entre os candidatos, marcado para quinta-feira, dia 4, na Globo. Claro que a semana está apenas começando. Até o domingo da votação, vem pesquisa de todo lado – e, além disso, certamente o noticiário terá emoções capazes de alterar o rumo do eleitor.