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Alagoas tem pela primeira vez atletas na seleção brasileira de ginástica rítmica

Duda Arakaki e Bárbara Galvão foram convocadas este ano para a equipe de conjunto

23/05/2019 09h04
Por: ADMINISTRADOR
Fonte: Globo Esporte
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A ginástica rítmica alagoana ocupa um lugar de destaque nacional como nunca antes. O motivo? As atletas Bárbara Galvão e Maria Eduarda Arakaki, a Duda. Ainda jovens, as adolescentes de 16 e 15 anos alçam vôos altos. E não apenas nos saltos graciosos da GR, mas também na carreira: elas são duas das 12 ginastas da seleção brasileira de conjunto. As primeiras na história a representar o estado neste esporte.

Desde o começo do ano, elas mudaram a rotina e passaram a se dedicar intensamente em Aracaju, na sede da GR: oito horas de treino diárias, além dos estudos pela manhã e fisioterapia à noite. Apenas em dois dias, estão liberadas em um período para descanso. Deixaram para trás a família e os amigos em Maceió, em um esforço comum aos atletas de alto rendimento. Tudo válido, como explica Duda.

- A gente já treinava muito, sempre gostou disso, mas agora a nossa vida é baseada na ginástica. É uma rotina difícil, a gente tem que treinar muito, por isso, só está lá mesmo quem gosta, quem realmente sabe que quer [seguir carreira profissional].

Há cerca de dez anos, a Confederação Brasileira de Ginástica mudou o local do centro de treinamento do conjunto. Antes, era Londrina. Com a ida para Sergipe, a hegemonia das meninas do Sul foi compartilhada com as do Nordeste. Além das alagoanas, uma sergipana integra a nova seleção: Victoria Borges. Tal fato é uma das explicações para o sucesso das garotas, como Camila Ferezin, técnica do Brasil, destaca.

- Antigamente, o centro de treinamento de conjunto era no Paraná e de lá saíram muitas ginastas da seleção. Eu sou uma delas (risos). Foi feito um trabalho de desenvolvimento da ginástica no Nordeste, a gente está próximo desses estados, com clínicas, cursos, e agora a gente tem as duas atletas daqui, né?! Eu acho que isso é um orgulho muito grande para Alagoas - comentou Camila, após ministrar mais um curso em Maceió, no último domingo.

Mas claro que o fator determinante foi o talento das duas, como explica a treinadora do Brasil.

- Eu acho que três anos atrás, eu identifiquei que a Duda e a Bárbara eram potenciais, mas isso dependeria de muito trabalho, muito treino, investimento. E foi isso o que aconteceu. Elas são ginastas novas, que têm muito ainda que crescer, mas são o nosso futuro aí, que vão estar representando o nosso país nas competições internacionais no próximo ciclo.

Amigas, amigas… juntas na seleção!

Apesar de terem sido rivais em Alagoas, já que Bárbara competia pelo Sesi e Duda pelo Marista, as duas construíram juntas a amizade e traçaram um objetivo comum. E este começo tem sido perfeito.

- A gente já se conhece faz um tempo, foi um sonho que a gente sempre sonhou junto. Então, a gente poder realizar isso e chegar à seleção, treinar, morar junto, no mesmo quarto, é muito legal - conta Bárbara.

E para Bruna Martins, auxiliar técnica e coreógrafa do conjunto brasileiro, mesmo que as duas não se desgrudem, elas não tiveram problemas com as demais atletas.

- A gente não pode nunca negar que são duas melhores amigas! E que bom que as duas conseguiram realizar esse sonho de chegar à seleção no mesmo momento. Lá, o espírito é muito amigável, as meninas são muito receptivas e com certeza essa amizade delas não ficou só entre as duas, foi ampliada e multiplicada no conjunto.

E é bom mesmo que as duas tenham o bônus da amizade para a adaptação, afinal, elas também precisaram se acostumar a outro aspecto: mudar da categoria individual para o conjunto. Elas sempre competiram sozinhas e agora estão em trabalho coletivo com as demais atletas.

- Tem que pensar todo mundo igual, praticamente, para poder fluir, para poder dar certo. A gente está se adaptando e mudando o modo como a gente estava acostumada a fazer - explica Bárbara, com a ajuda de Duda, na sequência:

- Nos lançamentos [dos aparelhos da ginástica rítmica: arco, maças, bola, fita e corda], por exemplo, a gente fazia antes o que era melhor para a gente, e lá a gente tenta sempre lançar perfeito uma pra outra, porque não depende só de você mesma agora. Se uma pessoa erra, já vai atrapalhar o conjunto todo.

Bárbara e uma ascensão relâmpago

A carreira de uma atleta não é muito longa, é preciso se dedicar desde cedo. Em muitas categorias, o ideal é dar início aos treinos por volta dos seis anos. Mas o que aconteceu com Bárbara passou longe disso. Ela teve contato com a ginástica rítmica quando já estava prestes a fazer 12 anos. Antes, tinha treinado na modalidade artística, mas, quando tomou gosto pela GR, foi só dedicação. Um caso raro.

- Meu biotipo, meu corporal, todo mundo falava que se encaixavam mais na ginástica rítmica. Mas aí comecei mais velha, comparada às outras meninas. E, nesse pouco tempo, eu sempre me dediquei. Eu sempre soube onde eu queria chegar e, por isso, dei o meu melhor, mas ainda continuo treinando muito (risos) - comenta.

A técnica Geovana Espírito Santo, lembra que, no início, devido à idade, a menina teve um pouco de dificuldade, mas a história hoje rende risadas, afinal, ela provou o que é chegar ao sucesso, mais do que muitos imaginavam.

- Sou professora há mais de trinta anos e tive essa honra, viu?! Porque tem gente que passa a vida inteira e não consegue colocar uma menina na seleção (risos). A Bárbara foi uma ginasta meteórica. É engraçado, tem uns vídeos dela fazendo um curso com a Giurga Nedialkova [técnica búlgara], que eu mostro e ela fica com vergonha, porque as outras faziam todos os exercícios e ela ainda não sabia fazer tudo. Mas nunca faltou foco e dedicação. Faltar treino, chegar atrasada ou enrolar? Não. E depois que ela viu que tinha essa chance de ir para a seleção, isso triplicou a determinação.

Para a treinadora, o segredo foi apenas um: amor à GR.

- Tem muita coisa que elas precisam renunciar e não é todo mundo que quer. Esse é o diferencial: a pessoa precisa assumir isso, se entregar de corpo e alma ao que se pede a uma ginasta. Acho que é preciso um amor muito grande, né?!

Uma temporada de auge, queda e superação para Duda

A história de Duda é um pouco diferente. Ela treinou desde a infância e foi se desenvolvendo aos poucos. Em 2018, colheu quase todos os frutos da carreira até aqui: classificação entre as dez melhores do país na categoria juvenil. Era a nona e precisaria ser a terceira para representar o Brasil nos Jogos Sul-Americanos e Pan-Americanos. Saltou para a segunda posição e foi para as competições. Lá, precisaria ser a melhor se quisesse ir para as Olimpíadas Juvenis. No primeiro torneio, ficou com o bronze, e, no segundo, foi a campeã. Era só fazer as malas para representar sozinha o Brasil.

Tudo parecia perfeito, se encaminhando para a convocação. Mas durante os Jogos Olímpicos, ela se machucou. O laudo médico foi osteocondrite dissecante no joelho esquerdo, o que desgastou a cartilagem e ela precisou ser operada. No dia 2 de janeiro, foi submetida ao procedimento e ficou dois meses sem poder sequer pisar no chão. Viu a amiga ser convocada enquanto ela precisaria esperar. Até a treinadora Carla Cabús sofreu junto.

- Foi um baque para ela chegar em janeiro e não estar o nome dela [na lista de convocadas para o conjunto do Brasil]. Ela se superou, é uma guerreira. Ela voltou a treinar e mandou uma foto pra gente falando “meus pés voltando às origens”. O pé estava todo arrebentado (risos), mas ela disse que estava feliz - lembra.

E foi nos momentos difíceis que a jovem mostrou maturidade. Ela entendeu a situação e não deixou de viver pensando na ginástica.

- Eu sabia que eu não ia poder ser convocada. O meu maior desespero na época era fazer logo a cirurgia para poder ficar boa e voltar a treinar. E aí eu tentei fazer tudo o que o médico falava, eu não podia tocar o pé no chão, e foi bem difícil, até para escovar os dentes. [...]. Eu tentava também ler coisas, assistir a vídeos e me manter forte, apesar de tudo.

A paciência e a disciplina fizeram com que a recuperação fosse bem sucedida, e ela garante que está 100%. Aliás, ela e a Confederação Brasileira de Ginástica. Agora, oficialmente na seleção desde o começo do mês, a atleta serve de exemplo para as demais alagoanas.

- É meio louco, eu acho [ver as outras se espelhando], porque a gente participava dos cursos e vinham meninas da seleção. Parecia uma coisa longe da realidade - conta.

E não são só as novatas que se orgulham. A outra técnica de Duda, Larissa Biana acha a aluna diferenciada.

- Não basta a atleta ser boa, se ela não quer. Isso foi o que a gente mais aprendeu aqui. O estado tem muitas meninas boas, desde a iniciação, mas a Duda realmente tem o querer.

Cada conjunto é formado por cinco ginastas e uma reserva. As meninas ainda não são titulares e nem viajaram com as colegas para as primeiras competições desta temporada, mas, quando perguntadas se estão atentas ao desenvolvimento da seleção e dedicadas para conquistarem uma titularidade, elas respondem em uníssono: sim!

*Globo Esporte

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